Como fazer a união de implantes a dentes naturais

Como fazer a união de implantes a dentes naturais

Compartilhar

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior destaca algumas regras para evitar os riscos para os dentes naturais e as possíveis complicações mecânicas.


Quando houve a revisão1-3 do tema união de implantes a dentes naturais – que até hoje é um assunto controverso –, foram encontrados índices de sobrevida das próteses e também dos implantes e dentes pilares semelhantes aos das próteses suportadas exclusivamente por dentes ou por implantes. Entretanto, quando os dentes são utilizados como pilares de próteses fixas, existem riscos que podem levar ao fracasso em um tempo menor que o esperado. Além disso, ocorre o aumento dos índices de cárie, de doença periodontal e de comprometimento pulpar4. Caso os dentes recebam tratamento endodôntico, ficam mais vulneráveis a fraturas, especialmente quando são utilizados pinos intracanais como meios de retenção de reconstruções coronárias.

Também foram relatadas situações de dentes unidos a implantes que sofreram uma aparente intrusão no alvéolo5-7. O tipo de conexão utilizada aparece como um diferencial significativo para a ocorrência desse fenômeno1, uma vez que os casos estavam relacionados ao uso de conexões semirrígidas, coroas telescópicas ou coroas cimentadas com cimento temporário1,3. Nenhum caso de intrusão dentária foi relatado com a união rígida entre implantes e dentes naturais. Ao longo dos anos, também não surgiram evidências de que a união rígida trouxesse prejuízos para implantes ou dentes.

Apesar de ser considerada segunda opção, quando pareada com a possibilidade de fazer uma prótese estritamente suportada por implantes, a união de implantes a dentes naturais não deve ser descartada, pois expande as possibilidades nos planejamentos dos casos de reabilitações orais com a prótese dentária2.

Considerando os riscos para os dentes naturais e as possíveis complicações mecânicas, tanto para os dentes quanto para os implantes, algumas regras orientam o bom senso quando for feita a opção por unir implantes a dentes naturais:

• Selecionar dentes com boa saúde periodontal que não apresentem mobilidade clínica aumentada;
• Unir os implantes aos dentes de forma rígida, evitando o uso de coroas telescópicas ou conectores semirrígidos;
• Fazer cimentação definitiva e não utilizar cimento temporário;
• Limitar a extensão do vão protético a apenas um pôntico;
• Controlar pacientes com hábitos oclusais parafuncionais intensos, geralmente indicando o uso de placas oclusais;
• Considerar pacientes com alto índice de cáries como um risco a mais para a sobrevida das próteses;
• Evitar utilizar como pilares dentes tratados endodonticamente e que apresentem os canais excessivamente dilatados, pois isso aumentaria o risco de fraturas de raízes.

Como visto, a união deve ser rígida, o que pode ser obtido de forma mais simples com uma prótese cimentada (Figuras 1 a 6) e utilizando um intermediário preparável (tipo munhão) ou individualizado. Com o uso do intermediário para prótese cimentada, a abordagem técnica passa a ser semelhante à de uma prótese fixa convencional. Também, é preciso obter paralelismo entre os preparos e, eventualmente, podem ser necessários procedimentos de soldas e remontagem.


Referências
1. Lang NP, Pjetursson BE, Tan K, Brägger U, Egger M, Zwahlen M. A systematic review of the survival and complication rates of fixed partial dentures (FPDs) after an observation period of at least 5 years. II. Combined tooth-implant-supported FPDs. Clin Oral Implants Res 2004;15(6):643-53.
2. Mamalis A, Markopoulou K, Kaloumenos K, Analitis A. Splinting osseointegrated implants and natural teeth in partially edentulous patients: a systematic review of the literature. J Oral Implantol 2012;38(4):424-34.
3. Ting M, Faulkner RJ, Donatelli DP, Suzuki JB. Tooth-to-implant-supported fixed partial denture: a comprehensive overview of systematic reviews. Implant Dent 2019 May 29 (DOI: 10.1097/ID.0000000000000901).
4. Libby G, Arcuri MR, LaVelle WE, Hebl L. Longevity of fi xed partial dentures. J Prosthet Dent 1997;78(2):127-31.
5. Cho GC, Chee WW. Apparent intrusion of natural teeth under an implant-supported prosthesis: a clinical report. J Prosthet Dent 1992;68(1):3-5.
6. Rieder CE, Parel SM. A survey of natural tooth abutment intrusion with implant-connected fixed partial dentures. Int J Periodontics Restorative Dent 1993;13(4):334-47.
7. Sheets CG, Earthmann JC. Natural tooth intrusion and reversal in implant-assisted prosthesis: evidence of and a hypothesis for the occurrence. J Prosthet Dent 1993;70(6):513-20.

 

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior
Especialista e mestre em Periodontia – UFRJ; Livre-docente em Periodontia e especialista em Implantodontia – UGF; Doutor em Engenharia de Materiais – Coppe/UFRJ; Pós-doutor em Periodontia e professor adjunto de Implantodontia – Uerj.
Orcid: 0000-0002-4514-6906.

 

Daniel Telles
Mestre e doutor em Reabilitação Oral pela FOB/USP; Professor titular do Depto. de Prótese e coordenador dos cursos de mestrado e doutorado em Prótese Dentária da FO-Uerj; Autor dos livros Prótese total convencional e sobre implantes e Próteses fixas sobre implantes. 
Orcid: 0000-0001-9576-4342.
 

Fechar Menu