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Uso da tecnologia para obter cor em cerâmica vítrea à base de dissilicato de lítio

Uso da tecnologia para obter cor em cerâmica vítrea à base de dissilicato de lítio

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A coluna Mandic News é reservada à discussão dos principais temas da Reabilitação Oral e Estética, com a participação dos professores da SLMandic.

Linha de pesquisa tem como objetivo a validação do uso da cerâmica vítrea à base de dissilicato de lítio como pilares híbridos.


A Odontologia Digital é uma realidade que vem sendo construída desde a década de 1970 e está atingindo níveis de qualidade e produtividade convincentes que podem justificar a procura por parte da classe odontológica e o investimento de empresas desenvolvedoras de tecnologia.

Diante de tantas inovações e possibilidades, fica difícil estabelecer o que realmente é a Odontologia Digital e até que ponto esta ferramenta poderá ser revolucionária. Na SLMandic, esta é uma área de ensino e pesquisa considerada particular, que abrange as mais diversas especialidades e está dividida em três pilares:

  • Imaginologia: originalmente, sempre se posicionou como uma área de exame e diagnóstico, mas, no presente contexto, refere-se principalmente ao uso das imagens tomográficas 3D em formato DICOM, no auxílio do planejamento e na obtenção de dispositivos que orientem a execução dos mais variados tipos de tratamentos;
  • Planejamento digital do sorriso: inicialmente realizado com fotografias em softwares como Power Point e Keynote (DSD), agora está modernizado com o uso de scanners de face e manipulação em aplicativos e softwares específicos. É inegável a sua necessidade na comunicação com os pacientes e profissionais parceiros, como técnicos e outros dentistas. Esse recurso demonstrou a real importância da face de cada indivíduo no planejamento odontológico e criou ferramentas que permitem seu uso de forma simplificada e democrática;
  • Sistemas CAD/CAM: compostos por scanners, softwares, fresadoras e impressoras 3D que atuam conjuntamente no exame, planejamento e, principalmente, na execução dos tratamentos nas mais variadas especialidades com restaurações indiretas, próteses, guias, aparelhos, entre outros.

Como formadora dos profissionais da área de Saúde que reverte benefícios para a sociedade, a Faculdade São Leopoldo Mandic tem a disciplina de Odontologia Digital na graduação desde 2016. Em 2019, inaugurou um laboratório digital contendo todos os equipamentos necessários para o fluxo digital completo para a confecção de próteses e outros, propiciando o desenvolvimento de pesquisas neste campo ainda carente de informações cientificamente comprovadas.

Em 2020, iniciará o curso de mestrado em Odontologia Digital, com o objetivo de formar/capacitar os professores nessa nova área e desenvolver pesquisas voltadas para a validação de protocolos de trabalho, técnicas e análise dos novos materiais.

PESQUISA

Uma das linhas de pesquisa que foi tema de algumas dissertações de mestrado e teses de doutorado teve como objetivo a validação do uso da cerâmica vítrea à base de dissilicato de lítio como pilares híbridos (metal + porcelana), obtidos por tecnologia CAD/CAM através de testes de adaptação e resistência à fratura. Em sua tese de doutorado, o Prof. Vagner Ortega analisou a capacidade da cerâmica vítrea à base de dissilicato de lítio (IPS e.max CAD) de obter uma coroa protética com a cor A2 da escala Vita Clássica e, assim, ocultar os aspectos indesejados dos componentes metálicos subjacentes (TiBase). As 45 amostras foram divididas em três grupos de estudo:

  1. Coroas cimentadas de dissilicato de lítio (HT A2) sobre pilar de zircônia (In Coris Meso F2.0) sobre TiBase (Figura 1A);
  2. Coroas cimentadas de dissilicato de lítio (HT A2) sobre pilar de dissilicato de lítio (MO2) sobre TiBase (Figura 1B);
  3. Coroas parafusadas anatômicas de dissilicato de lítio (LT A2) diretamente sobre TiBase (Figura 1C).

As cores foram analisadas pelo sistema CIELab através do espectrofotômetro EasyShade, e as mensurações foram feitas em três regiões do dente (subgengival, cervical e centro do dente), Figuras 2. Os resultados demonstraram que todos os grupos apresentaram valores de ΔE maiores do que 4, o que signifi ca que há uma diferença visualmente perceptível entre as coroas protéticas e a amostra A2 da Escala Vita.

Demonstraram também que a zircônia teve realmente melhor capacidade de esconder o escurecimento do TiBase, mas, em compensação, a cerâmica vítrea à base de dissilicato de lítio teve maior capacidade de devolver uma coroa protética com a cor mais próxima da amostra A2.

A cerâmica vítrea à base de dissilicato de lítio na cor MO2, quando comparada com as LT A2, apresentou comportamento diferente, sendo que a segunda conseguiu estabelecer maior uniformidade de cor nas três regiões.

Além disso, demonstrou-se uma diferença estatisticamente significativa entre as várias regiões do dente (subgengival, cervical e centro da coroa), sendo que a região subgengival, por ter uma espessura menor de cerâmica, apresentou valores de ΔE próximos a 14 nos grupos 1 e 2, o que demonstra uma diferença de cor ainda mais perceptível em relação a A2.

Figuras 1 – Coroa cimentada de dissilicato de lítio sobre pilar de zircônia sobre TiBase (A), cimentada de dissilicato de lítio sobre pilar de dissilicato de lítio sobre TiBase (B) e parafusada anatômica de dissilicato de lítio diretamente sobre TiBase (C).
Figuras 2 – Uso do espectrofotômetro nas regiões subgengival (A), cervical (B) e centro do dente (C).

Equipe docente da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic.

José Luiz Cintra Junqueira

André Antonio Pelegrine

Antonio Carlos Aloise

Luís Guilherme Scavone de Macedo

Marcelo Henrique Napimoga

Marcelo Lucchesi Teixeira

Vagner Leme Ortega

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